segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

31- JOSÉ RODREIGUES DA COSTA DÓRIA

 
JOSÉ RODRIGUES DA COSTA DÓRIA
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José Rodrigues da Costa Dória, mais conhecido como Rodrigo Dória, ex-presidente de Sergipe, médico e professor universitário, nasceu no dia 25 de junho de 1959, em Propriá, sendo seus pais Gustavo Rodrigues da Costa e Maria Soledade Costa Dória
Estudou as primeiras letras em sua terra natal e fez os estudos posteriores em Aracaju, onde foi aluno do Atheneu Sergipense. Em 1877, matriculou-se na Faculdade de Medicina da Bahia, pela qual recebeu o grau de doutor em medicina, em 16 de dezembro de1882.
Começou clInicando na cidade de Laranjeiras, onde permaneceu de 1883 a 1885. Depois, mudou-se  para Salvador, a fim de concorrer à vaga de professor adjunto de Medicina Legal e Toxicologia, em cujo concurso foi aprovado em primeiro lugar.
Rodrigues Dória viveu a “Idade de Ouro” de  Laranjeiras, considerada naquela época como  a Atenas de Sergipe. Laranjeiras aplaudia nos teatros Santo Antônio e São Pedro os maiores artistas nacionais; publicava nos jornais “Horizonte”, “Laranjeirense”, “Republicano”, “Cotinguiba”, “Novo Século” e “Gripho”, artigos, crônicas e ensaios  de  Felisberto Freire, Guedes Cabral, Fausto Cardoso, Manuel Curvelo, Josino Menezes, Moreira Guimarães, Balthazar Góes e Gervásio Barreto;  louvava a religião, a instrução, a caridade e o civismo, na Igreja de Sataninha, no Templo Presbiteriano, no Liceu Laranjeirense, nos Colégios Inglês, Americano e Santana, no Gabinete de Leitura e nos clubes republicanos (onde surgiram os primeiros republicanos de Sergipe). Era assim a Laranjeiras do final do século XIX,  glorificada pelo pincel mágico de Horácio Hora.,,
Nomeado por decreto imperial de 28 de novembro de 1885, Rodrigues Dória permaneceu como professor adjunto de Medicina Legal e Toxicologia, até 1888, quando prestou concur­so para a cadeira de Patologia Médica, vaga com a morte do conselheiro Demétrio Tourinho. Em 1981, foi nomeado substituto da 2º Secção (reforma Benjamim Constant). Em 1892 ocupou a cadeira de Botânica e Zoolo­gia Médicas, cadeira que depois se transformou em História Natural Médica e, por fim, Parasitologia.
Em 17 de março de 1981, tor­nou-se catedrático de Medicina Legal da Faculdade Livre de Di­reito da Bahia, da qual foi um dos fundadores. Inaugurou a tradição da cadeira de Medicina Legal da Faculdade de Direito ser ocupada pelo professor da mesma disciplina, na Faculdade de Medicina: Isto também ocorreu recentemente, com os professo­res Estácio de Lima e Maria Tereza Pacheco.
Em 1895, Rodrigues Dória foi eleito conselheiro municipal da Cida­de do Salvador, cargo que exerceu de 1895 a 1891. Em 1897, foi eleito deputado federal por Sergipe e como deputado federal per­maneceu por quatro legislaturas, comportando-se sempre como um político corajoso e atuante, inclusive durante o período do “estado de sitio” decorrente do atentado ao Presidente Prudente de Morais. Nesta ocasião vários parlamentares foram presos e o Vice-Presidente Manuel Vitorino foi considerado suspeito. Ele o visitou, desafiando a situação vigente.
Eleito presidente de Sergipe, tomou posse em 24 de outubro de 1908, com mandato até igual data de 1911. Com presidente, mostrou-se operoso administrador, esclarecido e independente. Seu governo foi um modelo de honestidade, operosidade e justiça. Premido pela falta absoluta de recurso financeiro, determinou que o tesouro do estado suspendesse o pagamento de seu salário.
No “Jonal do Povo”, edição de 13 de dezembro de 1922, declarou: “O que alguns não toleram é a minha independência.Não adulo ninguém nem admito que me adulem. Quero amigos, e não servos. Nunca entrei na casa de um doente pensando em remuneração, indagando a que partido pertence, em quem votou, ou quantos votos pode me dar”.
O jornal "Folha de Sergipe" edição de 23 de março de 1911, relata que a professora Isabel Giudice Lima, de Lagoa Vermelha (Boquim), assinou requerimento pedindo, no ultimo período de gravidez, noventa dias de licença. Ao receber o requerimento, o Presidente Rodrigues Dória deu o seguinte despacho: “Concedo o pedido sem vencimento visto não constitui moléstia o estado da suplicante nem situação independente da sua vontade”.
Apesar de nunca fechar os olhos e os ouvidos às críticas, nem considerar seus adversários como inimigos, Rodrigues Dória teve opositores intolerantes, como foi o caso de Gilberto Amado. que tendo sido nomeado para a Escola Normal de Aracaju, foi morar em Recife. Rodrigues Dória suspendeu o pagamento do salário. Dois anos depois, Gilberto Amado requereu o pagamento dos atrasados, o que foi negado. Este seria o motivo da desavença. 
Em 1915 representou o Estado da Bahia, a Faculdade de Direito, o Instituto Histórico e Geográfico e a Sociedade de Medi­cina Legal e Criminologia da Bahia, no 2° Congresso Científico Pan-americano, realizado em Washington.  Em 1916, represen­tou a Faculdade de Direito no 1° Congresso Médico Paulista. Em 1918 tornou-se sócio correspondente da Academia Nacional de Medicina, no Rio de Janeiro.
Afirma Garcia Moreno que o melhor trabalho de Rodrigues Dória é o que publicou sobre a maconha, em 1915. Diz textual­mente que este é um trabalho  clássico, que assinala o ponto inicial das pesquisas brasileiras a respeito do assunto. Ariosvaldo Figueire concorda, e acrescenta:  "Rodrigues Dória estudou e conheceu o outrora denominado "pito do pango" ou "fumo de Angola". Em entrevista publicada no jornal carioca "A Noite" edição de 21 de agosto de 1935, Rodrigues Dória afirmou que foram os escravos que trouxe­ram o vício da maconha. Afirmou que a Câmara Municipal do Rio de Ja­neiro, em sessão realizada no dia 4 de outubro de 1830, proíbiu a venda e o uso da maconha, multando o vendedor em vinte mil reais, e os escravos e mais pessoas, em três dias de cadeia.
Rodrigues Dória reformou a instrução pública, instituiu o servi­ço de identificação datiloscópica, construiu e inaugurou o novo edi­fício da Escola Normal, instalou a Escola de Aprendizes Artífices e tornou efetiva a exigência de concurso no preenchimento dos car­gos de magistério e do tesouro, então muito concorridos" (Ibidem).
Caráter reto e exemplar, acom­panhou o concurso do professor Abdias Bezerra à cadeira de fran­cês, no "Atheneu Sergipense" e resistiu às pressões da politica­gem local. Naquela ocasião, confessou a  "Carvalho Neto: “Meu amigo, Abdias Bezerra concorreu com vinte e três candidatos, os dois que entraram com ele no concurso e os vinte e um que mandaram pedir a cadeira!".
Apesar de não ter morado muitos anos em Sergipe,  costumava dizer: "Nasci e criei-me sergipano e sergipano desejo morrer."
Em 14 de junho de 1938, quando  estava em Salva­dor, ao descer de um bonde para ir à farmácia - onde compare­cia diariamente, seu paletó ficou preso no banco do veículo e ele foi arrastado. Em conseqüencia, Rodrigues Doria morreu em plena via pública, causando consternação em todos que o admiravam.
Eduardo Sá de Oliveira escreveu: "Quando da inumação do corpo do dr. Rodrigues Dória, foram prestadas homenagens especiais a esse eminente profes­sor e notável político, não somente por todas as classes da Bahia, mas também pelo seu estado natal, Sergipe. Em verdade foram todas essas homenagens muito justas, por se tratar de um varão que alcançou tão altas posições exclusivamente pela nobreza do seu caráter e pelo seu espírito peregrino"
 
 
 
 

30- JOSÉ JOAQUIM PEREIRA LOBO

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JOSÉ JOAQUIM PEREIRA LOBO
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José Joaquim Pereira Lobo, mais conhecido como Pereira Lobo, nasceu em São Cristóvão, no dia 23 de dezembro de 1864, sendo seus pais Joaquim José Pereira Lobo e Joana Rosa de Vasconcelos Pereira.
Estudou as primeiras letras em sua cidade de origem. Fez o curso secundário na Escola Militar do Rio de Janeiro, onde completou sua formação, diplomando-se em engenharia.
Iniciou a carreira profissional como diretor fiscal de obras militares.   Depois, ocupou os cargos de Chefe do Serviço de Estado Maior da Primeira Brigada Estratégica, membro do Conselho Superior de Instrução, diretor do Hospital de Misericórdia e chefe de gabinete da Direção Geral de Artilharia,
Iniciou a vida pública em 1893,  como deputado estadual.  Depois, foi vice-presidente (1896-1898), presidente (1918-1922) de Sergipe e Senador (1914-1918) (1923-1930).
Coube a Pereira Lobo organizar e promover as festividades do primeiro centenário da emancipação política de Sergipe. Com este objetivo presidiu a Comissão Organizadora formada por Hunald Santaflor Cardoso, Antônio Batista Bitencourt e José Sobral da Silva Morais. Da comemoração contaram:
1-  REFORMA DO PALÁCIO OLÍMPIO CAMPOS:
Ao tomar posse, em 24 de outubro de 1918, Pereira Lobo assumiu o compromisso de dar seguimento à reforma do Palácio Olímpio Campos, iniciadas pelo seu antecessor. Para cumprir o prometido, contratou um grupo de artistas italianos que se encontrava em Salvador, composto de Oresti Cercelli, arquiteto e pintor que se inspirou em um palácio de Florença para o projeto da parte externa; Belando Belandi, arquiteto e escultor; Bruno Cercelli, pintor, filho de Oresti Cercelli; Orestes Gatti, escultor, fundidor e pintor; Fiori, fundidor; Frederico Gentil, assentador; Pascoal Del Chirico, modelador das esculturas que compõem as fachadas. Além destes, contou com outros profissionais da mesma origem, como Ncola Mandarino e Augustonini Marozzi (que acabaram residindo em Aracaju; Rafaelle Alfano, Mario Novette e Tomás Mutti. Algumas curiosidades ficaram guardadas para sempre como “a do pintor que usava o pincel e tinta com tanta maestria,ao ponto de ir trabalhar – e pintar – vestido de terno branco sem ter o seu traje manchado com uma gota de tinta, sequer”...
2- INAUGURAÇÃO DO MONUMENTO A TOBIAS BARRETO:
Elaborado pelo escultor Lourenço Petrucci, e colocado na praça Tobias Barreto, em  Aracaju.
3- INAUGURAÇÃO DO ENTREPOSTO ESTADUAL, SITUADO NA RUA SIRIRI:
Obra  iniciada no governo de Oliveira Valadão, para servir de mostruário da produção industrial de Sergipe. A Exposição-Feira do Centenário foi realizada Corpo de Bombeiros.
4- ELABORAÇÃO DO “ALBUM DO ESTADO”:
A organização desse álbum foi confiada a Clodomir Silva. “Obra monumental, de pesquisa e de documentação, em formato grande, ilustrado, segundo modelo de outros Estados, impresso nas oficinas do jornal “O Estado de São Paulo” (Luiz Antônio Barreto). Para sua realização o fotógrafo Leone Ossovigi percorreu a   capital e o interior, tirando fotos. Outro fotógrafo, do Rio de Janeiro, fotografou praças, ruas, avenidas,  o interior e o exterior do Palácio Olímpio Campos, formando uma coleção editada por Guilherme Rogatto. Digno de nota é a impressão em cores da Bandeira do Estado. Nesta obra prima  Clodomir descreve em oito capítulos a história de Sergipe, dá informações minuciosas sobre os municípios, cidades, vilas e povoados; relaciona as Repartições Estaduais e Federais e os jornais da capital e do interior;  biografa sergipanos ilustres, como Tobias Barreto, Sílvio Romero, Felisberto Freire, Horácio Hora, José de Faro Rollemberg, e outros; oferece mapas estatísticos, e dá outros informes importantes.
5- INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO DO CENTENÁRIO:
Para essa “Exposição” foi utilizado grande parte do acervo destinado à  Segunda Grande Feira Anual, realizada em 1919, no Rio de Janeiro. Este acervo era composto por amostras de tecidos fabricados nas  fábricas existentes no estado (duas em Aracaju, duas em Estância, uma em São Cristóvão e uma em Propriá); amostras do Curtume de Canindé;  óleo de coco produzindo por  uma fabrica de propriedade de José Alcides Leite; sabão produzido por uma fábrica, de Jardelino Porto; óleo de rícino, da fábrica de Cravo & Cia (Neópolis); vinhos da fábrica de Leopoldo de Araújo Souza, charutos “Walkiria”, conhaque e vinhos da marca “Lua”, de Estância; vinhos da fábrica de Manoel Natureza; produtos da funilaria de Nicolau Mandarino e óleo de rícino da Fábrica Aliança, de propriedade do farmacêutico Moisés de Carvalho, residente em Estânca, etc. 
O Presidente José Joaquim Pereira Lobo faleceu no Rio de Janeiro, no dia 24 de fevereiro de 1933.
      
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

29- LUIS GARCIA


LUIS GARCIA
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Luis Garcia, advogado, promotor de justiça, jornalista, professor e  ex-governador de Sergipe, nasceu em Rosário do Catete, em 14 de outubro de 1910, sendo seus pais Antônio Garcia Sobrinho e Antônia Garcia.
Estudou as primeiras letras em sua cidade de origem. Depois, mudou-se para Aracaju, onde fez os preparatórios no Atheneu Sergipense. Em 1928, ingressou na Faculdade de Direito da Bahia, pela qual foi diplomado em 1932.
O JORNALISTA: Como jornalista, notabilisou-se dirigindo o “Correio de Aracaju”, do qual foi o principal articulista. Transformou o jornal em uma tribuna, onde, todos os dias, defendia seu grupo político, liderado por Leandro Maciel.  
O ADVOGADO: Como advogado, Iinicou a carreira como promotor público da cidade de Estância, onde notabilizou-se na defensa da sociedade. Depois, atuou simultâneamente em Sergipe e no Rio de Janeiro, onde o irmão, Carlos Garcia, também era advogado. Instalado na capital da República, soube conciliar as atividades forenses com os mandatos políticos.
O POLÍTICO: Como político, foi eleito deputado estadual em 1934, assim permanecendo até o fechamento do legislativo pelo Estado Novo, em 10 de novembro de 1937. Terminado o período de exceção, filiou-se à União Democrática Nacional, sendo eleito suplente de deputado federal, em 1945. Novamente candidato,  elegeu-se deputado federal em quatro legislaturas (1951-1955, 1955-1959, 1967-1971 e 1971-1975). Participou do Governo Carlos Lacerda, na Guanabara. Candidatou-se ao Senado em 1962, sendo vencido por Francisco Leite e Júlio César Leite. Em 1958, eleito governador do estado de Sergipe, realizou uma administração moderna e empreendedora. Alguns anos depois, voltou à Câmara dos Deputados, como 1º suplente al(1979-1983).
O GOVERNADOR: Como governador reivindicou investimentos no setor elétrico do estado, inaugurou o Complexo Hidroelétrico de Paulo Afonso, criou o Banco do Estado de Sergipe, construiu o Hotel Pálace de Aracaju e Estação Rodoviária, criou o Instituto de Previdência do Estado de Sergipe (IPES), o Conselho de Desenvolvimento Econômico de Sergipe – CONDESE,  a Companhia de Energia de Sergipe (ENERGIPE), o Museu Histórico de São Cristóvão, além de muitas outras e realizações.
O IINTELECTUAL : Como intelectual, foi orador, conferencista e crítico literário. Fez parte da Academia Sergipana de Letras, desde 1942.  Foi professor da Universidade Federal de Sergipe. A ele devemos, em grande parte, a criação da Faculdade de Direito, da Faculdade de Medicina  e, de certo modo, da Universidade Federal de Sergipe.
O CIDADÃO: Afastado da advocacia, do jornalismo e da política deixou crescer sua vocação de intelectual. Participou ativamente  da Academia de Letras, ilustrando-a com sua palavra fácil. Tornou-se uma presença constante nas reuniões, cuja presidência quase sempre era ocupada  pelo seu irmão, Antônio Garcia Filho.
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Luis Garcia faleceu em Aracaju, no dia 11 de agosto de 2011, com a avançada idade de 91 anos. Eduardo Antônio o definiu, afirmando: “Foi jurista, orador, conferencista e crítico literário, sempre conciliando suas atividades políticas com as jornalísticas, e tendo atuação na vida intelectual do estado”.
Ele  governador de Sergipe. O filho, Gilvan Garcia, governou o Amapá. O irmão, José Garcia Neto, foi overnador de Mato Grosso. No livro “Governadores em três Estados do Brasil”, José Anderson descreve a saga desta família de privilegiados.


quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

28- ANTÔNIO GARCIA FILHO


ANTÔNIO GARCIA FILHO
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Antônio Garcia Filho, médico, professor universitário, poeta, compositor, literato, agente cultural e escritor, nasceu em 29 de maio de 1916, em Rosário do Catete, sendo seus pais o farmacêutico Antônio Garcia Sobrinho e Antônia Menezes Garcia.
Aprendeu as primeiras letras em sua cidade natal, onde foi aluno das professoras Rosa Garcia e Laudelina Fraga. Em Aracaju, estudou no Grupo Escolar Barão de Maroim, no Atheneu Sergipense e no Colégio Tobias Barreto, dirigido pelo educador José de Alencar Cardoso. No Atheneu Sergipense, foi aluno de Costa Filho, Santos Melo, Artur Fortes, Abdias Bezerra, Franco Freire, José Augusto da Rocha Lima e outros mestres de igual porte.
Concluídos os preparatórios, ingressou na Faculdade de Medicina da Bahia, pela qual foi diplomado em 1941. Durante o curso médico, participou dos movimentos estudantis, sendo eleito presidente do Diretório Acadêmico.
Iniciou suas atividades de médico clínico em Laranjeiras, transferindo-se depois para Aracaju, onde dirigiu o Hospital Santa Isabel e, a convite do Dr. Augusto Leite,  fez parte do corpo clínico do Hospital de Cirurgia. Estudioso, procurou elevar-se cada vez mais, publicando trabalhos científicos, dos quais destaca-se o intitulado “Conduta Pré-anestésica na Criança”.
Em 1945, iniciou o jornalismo. Filiou-se à Associação Sergipana de Imprensa, colaborou em quatro jornais sendo diretor de dois: o “Correio de Aracaju” e a Gazeta Socialista”.
Em  1950, publicou  “Um Pensamento na Praça” e  ingressou na Academia Sergipana de Letras, onde fundou o “Movimento de Apoio Cultural”.
A partir de 1959, freqüentou com mais assiduidade  congressos médicos internacionais, e manteve contato com colegas estrangeiros, tais como Max Sadowe, Siney Orth, Paulo Bittencourt e Cecil Gray, Data desta época seu interesse pela reabilitação física e coordenação motora.
Em 1962, idealizou, fundou e presidiu por mais de um decênio, o ‘Centro de Reabilitação Física Ninota Garcia’, o primeiro de Sergipe, e um dos três então existentes no Brasil. Em 1966, lançou “A Reabilitação em Sergipe”, no qual expôs as razões de criação, os propósitos e o funcionamento do referido Centro.
No início da década de 1960, fundou, com Benjamin Carvalho e outros colegas, a Faculdade de Medicina de Sergipe, da qual foi o primeiro diretor, assim permanecendo de 1961 e 1969.
A ideia de criação de uma Faculdade de Medicina em Sergipe data de 1951, quando Benjamin Carvalho e João Batista Perez Garcia Moreno criaram a Sociedade Civil Faculdade de Medicina de Sergipe cujo primeiro presidente foi o Dr. Augusto Leite. O projeto somente se tornou realidade em 1959, quando Benjamin Carvalho, Lourival Bomfim, Walter Cardoso e Lauro Porto contaram com o apoio do Governador Luiz Garcia e de seu irmão, Antônio Garcia Filho, Secretário Estadual de Educação, Cultura e Saúde.   
Para o exercício da cátedra, Antônio Garcia fez um curso de preparação na Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia, e nos Estados Unidos. Instalada a Faculdade, Antônio Garcia Filho assumiu a cadeira de  Bioquímica e Anestesiologia. Além de ensinar  na Faculdade de Medicina, lecionou Nutrição , na Faculdade Católica de Serviço Social. Na Universidade Federal de Sergipe foi o primeiro Pró-Reitor de Assuntos Comunitários e de Extensão, oportunidade em que criou o “Festival de Artes de São Cristóvão”, considerado um dos eventos mais prestigiados pela intelectualidade sergipana. Graças ao seu desempenho, a Universidade lhe outorgou o título de Professor Emérito.
Dentre os vários cargos que exerceu, destacamos os de Presidente do Centro de Estudos do Hospital de Cirurgia, Orador Oficial do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, Presidente da Academia Sergipana de Letras, Secretário Estadual de Educação, Cultura e Saúde, Presidente da Associação de Medicina de Sergipe, presidente do Conselho Estadual de Cultura e da Alliance Française..
Como incentivador de cultura, além de criar o “Festival de Artes  São Cristóvão”, concebeu e implantou o “Encontro Cultural de Larajeiras”,  iniciativa louvável de seu espírito criador.
Como militante político, foi vereador em Aracaju e Presidente da Câmara Municipal, onde adotou um programa de combate ao capitalismo e exploração do homem pelo homem.
Como intelectual, além de escritor, contista e teatrólogo, foi poeta e compositor. São de sua autoria,  o “Hino da Cidade de Rosário do Catete”, o “Hino do 28º Batalhão de Caçadores” e a  canção “Aracaju, uma estrela”, vencedora do concurso público promovido pela Prefeitura da capital.
Pranteado por seus colegas, ex-alunos, amigos e admiradores, Antônio Garcia Filho faleceu em Aracaju, no dia 22 de junho de 1999, deixando o imenso legado do seu talento, de sua cultura, de seu caráter e de seu coração cheio de amor e  bondade.
O campus avançado da Universidade Federal de Sergipe, localizado em Lagarto, a 60 quilômetros de Aracaju, tem o seu nome. O mesmo acontece com um Colégio Estadual situado em Ubaúba e uma rua em Mosqueiro, próximo da capital,.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 
 
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terça-feira, 13 de janeiro de 2015

27- BENJAMIN CARVALHO


BENJAMIN  CARVALHO
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Benjamin Carvalho nasceu em 2 de setembrode1904, na Fazenda São Bento, município de Rio Real, Bahia. Após o estudo  das primeira letras, seu avô, Otávio Souza Leite, o levou para a capital baiana, onde foi aluno do Colégio Carneiro Lisboa.
Concluídos os preparatórios, ingressou na Faculdade de Medicina da Bahia, pela qual foi diplomado em 1927, juntamente com José Silveira, Hosanhá de Oliveira e Carlos Morais, futuros professores daquela  faculdade. Sua tese inaugural, intitulada “Da Resistência dos Estados Mórbidos à Terapêutica e da Incurabilidade perante a Eutanásia”, submetida à Congregação, foi aprovada com louvor.
Diplomado, fixou-se em Aracaju, onde exerceu,  com espírito caritativo,  as especialidades de  Urologia e Dermatologia.
Em 1945, a convite do Dr. Augusto Leite,  assumiu a direção do Hospital de Cirurgia.
Eleito deputado estadual, participou da elaboração da Constituição do Estado de Sergipe, ao lado de Francisco Porto, Armando Rollemberg, Orlando Dantas, Edézio Vieira de Melo,  Seixas Dória, e outros.
Depois, no Governo Leandro Maciel, assumiu a Secretaria Estadual de Saúde
Em 30 de junho de 1953, ao lado de  Augusto Leite, Garcia Moreno, Juliano Simões, Basílio Amaral e Felte Bezerra, fundou a Sociedade Civil Faculdade de Medicina de Sergipe, com o objetivo de criar e manter uma  Faculdade de Medicina.  Coube-lhe proferir o discurso de instalação, considerado “um hino de amor a Sergipe, de fé no seu progresso e de esperança no trabalho de seus filhos” . Com sua palavra  fluente, contagiou  os presentes mas, infelizmente, a criação da Faculdade não se concretizou. Este sonho só se tronou realidade  algum tempo depois, em 1959, ainda sob sua liderança  e empenho de  Antônio Garcia.  Contando com o apoio de outros idealistas, fundaram uma sociedade civil, mantenedora da Faculdade e Ciêncis Médicas e da Universidade Federal de Sergipe.
Constituida a Faculdade, foi o primeiro professor da disciplina História da Medicina.
Benjamin Carvalho faleceu em Aracaju, no dia 29 de setembro de 1995.
 
 
 
 

 

26- ABDIAS BEZERRA


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Abdias Bezerra nasceu na vila de Siriri, hoje município, em 7 de setembro de 1880, sendo seus pais o professor João Amando Bezerra e Hermínia Rosa Bezerra.

Fez os estudos iniciais em Siriri, Itabaiana e Japaratuba e os subsequentes no Atheneu Sergipense. Desejando seguir a carreira militar, matriculou-se, em março de 1900, na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, onde concluiu o curso secundário e fez o primeiro ano do curso superior.  Tendo participado da revolta de novembro de 1904, foi desligado da Escola Militar. A revolta, chamada “Revolta da Vacina”, foi um movimento popular, ocorrido no Rio de Janeiro, contra a vacinação obrigatória imposta pelo governo federal.

Regressando a Sergipe, dedicou-se ao magistério particular, lecionando diversas matérias. Aberta a disputa para preenchimento da cadeira de francês do Atheneu Sergipense, submeteu-se ao concurso. Aprovado, tomou posse em 28 de maio de 1909, durante o governo de Rodrigues Dória.

Sua carreira no magistério público e particular foi meteórica. Ensinou francês, aritmética, álgebra, português, geometria e trigonometria no Atheneu Sergipense, na Escola Normal, no Ginásio  Tobias Barreto e em outros colégios particulares da capital.

Em 3 de novembro de 1922 foi nomeado Diretor do Atheneu Sergipense e a 10 de abril de 1923, diretor interino do curso comercial da Escola Conselheiro Orlando. Em 24 de maio de 1923, foi nomeado diretor da Instrução Pública do Estado. No exercício deste cargo foi comissionado para visitar São Paulo e observar  o moderno processo de ensino postos  em prática naquele Estado. Ao regressar, comandou a reforma do ensino implementada no governo Craccho Cardoso. O novo Regulamento, editado em 11 de março de 1924, alterou profundamente os programas e a prática da aprendizagem dos cursos primário, elementar e superior em   Sergipe.

O professor Abdias Bezerra faleceu em 14 de junho de 1944. Seu sepultamento foi um acontecimento que marcou para sempre a vida da capital sergipana. O féretro saiu da casa de seu filho, professor Felte Bezerra (onde foi velado), e se dirigiu ao Cemitério Santa Isabel. Todo o percurso foi feito a pé, por uma grande multidão, acompanhada por personalidades políticas e  estudantes dos principais colégios e escolas. O cortejo formou duas alas que se estenderam por várias ruas. Atrás dessa multidão, seguiu-se um grande acompanhamento de automóveis, bandas de música (que tocavam marchas fúnebres), bondes e ônibus (repletos de amigos, ex-alunos e admiradores). À beira do túmulo discursaram o interventor substituto, Francisco Leite Neto; o representante da Escola Normal, professor José Calasans Brandão; o representante do Colégio Estadual de Sergipe, professor Franco Freire; o representante do Ginásio Tobias Barreto, professor João de Araújo Monteiro; o jornalista Freire Ribeiro; o representante do corpo discente do Atheneu Sergipense,  Clodomir Silva; o representante da Maçonaria, José Felizola; o representante da classe operária, João Vieira de Aquino; o ex-aluno José de Matos Teles; e o diretor do Departamento de Educação, professor Acrísio Cruz.

“As viagens de estudo, como a realizada por Abdias Bezerra, e a “importação” de técnicos, constituíram estratégia importante para a política de reforma do ensino em Sergipe”, afirma Jorge Carvalho do Nascimento. O mesmo ocorreu no Ceará, Rio de Janeiro e Minas Gerais.