segunda-feira, 19 de outubro de 2015

71- FAMILIA BOTO



A família Boto descende de Estêvão  Anes  Boto, natural de Évora, que participou da armada que D. João I enviou para a África, em 1415. Ele e seu filho, Martim Esteves, então com 20 anos de idade, tomaram parte da conquista de Ceuta.  Consta  que Estêvão Anes penetrou nas torres da cidade e cortou as cabeças de vários  mouros. Daí o brasão da família: duas torres e duas cabeças de mouros.

Um dos descendentes desta família, o  Major João de Aguiar Boto de Melo, chegou ao Brasil em meados do século XVIII e recebeu terras em Minas Gerais, onde se estabeleceu como criador de gado.  Foi senador na Bahia durante a época em que seu irmão, o Marquês de Aguiar, era Presidente.  Casou-se com Rosa Cecília Novais, natural do município de Cedro de São João, em Sergipe. Um de seus filhos recebeu o mesmo nome e casou-se com Ana Jeronima da Silveira, tornando-se pai de Sebastião Gaspar de Almeida Boto, típico representante político do período imperial.

Sebastião Gaspar de Almeida Boto nasceu no engenho Maruim de Cima (Santo Amaro de Brotas), em 17 de setembro de 1802. Aos 19 anos, abraçou a carreira militar.  Alistou-se na companhia de guardas milicianos, onde atingiu o posto de tenente coronel. Lutou na Guerra da Independência e em 1841 foi nomeado coronel comandante da Guarda Nacional.  No dia da coroação de D. Pedro II  foi condecorado com o título de comendador da Ordem da Rosa. Integrou a primeira Assembleia Provincial (1834-1837) e foi deputado geral nas legislaturas de 1838-1841 e 1843-1844. Ocupou, por quatro vezes, a vice-presidência de Sergipe. Em 1841, foi nomeado Presidente.
Participou do movimento armado conhecido como “Revolta de Santo Amaro”.

Durante o mandato de presidente de Sergipe, construiu a casa de prisão de Laranjeiras, reformou a de São Cristóvão,  criou a Escola Normal (1838), desenvolveu a Instrução Pública, organizou os destacamentos da Guarda Nacional de Laranjeiras, São Cristóvão e Estância, adquiriu uma tipografia para publicação dos atos do governo, melhorou as barras dos rios Cotinguiba e Sergipe e  promoveu gestões junto ao Governo Imperial para melhoramentos  das barras do Rio Real e do Rio São Francisco.
Sebastião Gaspar de Almeida Boto casou-se com Joana Dias Coelho de Melo, filha de Domingos Dias Coelho e Melo (Barão de Itaporanga) e irmã de Antônio Dias Coelho e Melo (Barão de Estância).  Duas filhas de Sebastião Boto casaram-se com dois filhos de seu cunhado, o Barão de Estância.

Sebastião Gaspar de Almeida Boto faleceu em 31 de maio de 1884, no engenho Poxim, no município de São Cristóvão.

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Uma irmã de Sebastião Gaspar de Almeida Boto de nome Francisca de Aguiar  Caldeira Boto, casou-se com o Coronel Bento de Melo Pereira, Barão de Cotinguiba. O Barão de Cotinguiba foi Capitão-Mor e comandante das armas de Sergipe (1817-1829), vice-presidente  (1834-1837-1839-1842) e presidente da província (1837), senador, comandante superior da Guarda Nacional e comendador da Ordem de Cristo.  Deste consórcio resultaram seis filhos que deram continuidade ao nome da família, quatro deles com o sobrenome Boto. Destes destacamos João de Aguiar Boto de Melo  que herdou o nome de seu tio, o pai de Sebastião Gaspar de Almeida Boto.