terça-feira, 30 de junho de 2015

69- FAMILIA CARDOSO





A FAMÍLIA CARDOSO DE SERGIPE

(JOAQUIM MAURÍCIO CARDOSO, FILHOS E NETOS)
 
A família Cardoso é de origem portuguesa. Lembra a expressão “terreno cardoso”, ou  “terreno cheio de carda”. Carda é uma espécie de  praga, comum em certas regiões. O sobrenome existe desde 1170. O primeiro a usá-lo foi D. Hermigo Cardoso, que viveu em Lamego no tempo  do rei Afonso III de Portugal  (1210-1279).  D. Hermigo era  o proprietário  da “Quinta Cardoso”, situada em São Martinho de Mouros. Os Cardoso se espalharam por  Portugal e Espanha (Galícia,  Andaluzia, e Astúrias). Dom Juan, marquês de Cardoso,  viveu em Sevilha, no ano de 1599. (6)..

No reinado dos Reis Católicos, mais de 120.000 cristãos-novos, expulsos da Espanha, imigraram para Portugal, Arquipélago dos Açores e Brasil. No Brasil receberam a alcunha de “marranos”, Dentre os “marranos” perseguidos pela Inquisição, alguns   eram da família Cardoso (5).
Em 1654, quando ocorreu a expulsão de Maurício de Nassau, os irmãos João Inácio e Francisco Cardoso  se estabeleceram naquela região por volta de 1795.
Os Cardoso do Rio Real são muito antigos pois descendem de Caramuru, através de Melchior Dias Moreia que,, na década de 1580, descobriu uma mina de ouro nos sertões da Bahia. Tentou explorá-la  mas acabou preso. Outros Cardoso  viveram nas redondezas do rio Real durante os séculos XVI, XVII e XVIII (4).

Joaquim Maurício Cardoso (1806-1869), filhos, e netos, são personalidades importantes na vida política, econômica e cultural de Sergipe   Alguns deles tinham o mesmo nome dos pais, ou de algum familiar muito querido, o que, às vezes, torna difícil identificá-los  (7). .
 

JOAQUIM MAURÍCIO CARDOSO

 Joaquim Maurício Cardoso nasceu em 1808, na Bahia, e recebeu o título de advogado em algum curso particular,  pois naquela época não existia faculdade no Brasil (9). Imigrou para Estância, onde contraiu núpcias com Joana Baptista de Azevedo e com ela teve oito filhos.
Foi um dos fundadores do primeiro jornal da província. o “Recopilador Sergipano”, cujo primeiro número circulou em Estância em setembro de 1832. Impresso na Tipografia Silveira, a mais antiga  de Sergipe,  (assim chamada por ser de propriedade do monsenhor Antônio Fernandes da Silveira) circulava às terças, quintas e sábados.
Joaquim Cardoso foi professor de matemática e  geografia do Externato Provincial de Estância. Vários médicos e políticos importantes foram seus alunos:
Entrou na política, e foi deputado provincial.
Além de rábula, fundou uma escola prática de direito, freqüentada por formados e não formados; e com isso desempenhou importante papel no desenvolvimento cultural de Sergipe.
Em 1832, o presidente da província, José Geminiano Morais de Navarro reuniu as cadeiras de ensino público de latim, retórica, francês e geometria existentes  em São Cristóvão, em um Liceu, (“Liceu Sergipense”)., e o instalou no Convento do Carmo. O Liceu teve como primeiro diretor frei José dos Prazeres Bulhões. Joaquim Mauricio Cardoso foi convidado para o ser vice-diretor e professor de francês e retórica. O Liceu foi extinto em 1835, quando Joaquim Cardoso regressou para Estância e passou a se dedicar ao magistério particular.
Faleceu em 1869, deixando os seguintes filhos: Severiano Mauricio de Azevedo Cardoso (1840-1907), Brício Mauricio de Azevedo Cardoso (1844-1924), Melchisedek Mattusalem de Azevedo Cardoso (1860-1938), Sinfrônio de Azevedo Cardoso (1850-?).Manuel Maurício de Azevedo Cardoso (1864-1936), Ignez (?), Amélia (?) e Valeriania (?)..
 

SEVERIANO MAURÍCIO DE AZEVEDO  CARDOSO

 Severiano Maurício de Azevedo Cardoso, mais conhecido como Severiano Cardoso,  professor, poeta, jornalista, político e autor de textos literários, nasceu em Estância, em 14 de março de 1840, sendo seus pais Joaquim Maurício Cardoso e Joana Baptista de Azevedo. É  o pai de José de Alencar Cardoso,  diretor e fundador do Colégio Tobias Barreto que funcionou inicialmente em Estância (a partir de 1909), e depois em Aracaju.
Filho primogênito de um grande educador, Severiano fez os primeiros estudos em sua terra natal, com seu pai, e tios maternos. Aos quinze anos mudou-se para Salvador, onde trabalhou no comércio. Nessa  ocasião escreveu vários artigos para o jornal  “Bahia Ilustrada”..
Em 1870, voltou para Sergipe e  ingressou no “Atheneu Sergipense” como escriturário. Depois foi Secretário   da Instrução Pública, cargo que exerceu de 1871 a 1874. Neste último ano deixou o cargo de Secretário e assumiu o de oficial maior daquela secretaria. 
Eleito deputado provincial em duas legislaturas, e membro da Câmara de Vereadores. Militou no Partido Conservador,  ao lado de Olímpio Campos, grande amigo e discípulo.
 Como jornalista, militou no “Sergipe Jornal” (do qual foi redator) e no  “Estado de Sergipe”. Colaborou com “O Americano”, “Jornal do Comércio”, “Folha de Sergipe” e “Jornal de Aracaju”.
Era poeta e teatrólogo. Escreveu diversas peças teatrais, e  um livro intitulado “Teatro Infantil”. Publicou vários trabalhos sobre o ensino primário. Um deles,  “Corografia de Sergipe”, tornou-se famoso e, ao que parece, ainda permanece inédito (corografia é o estudo de uma determinada região).
 Sua passagem pelo Atheneu Sergipense e pela Instrução Pública foi de muita utilidade para o magistério  e a política.
Como educador, criou um colégio, situado na atual Praça Fausto Cardoso, intitulado “Parthenon Sergipense”  onde, além de ensinar  as disciplinas do curso de humanidades, “dava aulas de gentileza”. Nesse colégio, educou dezenas de jovens das principais famílias de Sergipe.
 Fiel admirador dos grandes educadores do século XIX, utilizou em suas aulas instrumentos didáticos e não didáticos. Um de seus alunos, Edilberto Campos, disse que Severiano Cardoso ensinava tabuada  fazendo de conta que empilhava sacos de açúcar em um trapiche, e frações  utilizando casinhas de papelão e tubos de cartolina de variados tamanhos.
Em busca de novas experiências educacionais, foi para Minas Gerais, onde assumiu a direção do “Colégio Parthenon Mineiro”, em Rio Novo. Depois de dois anos, voltou para Sergipe e fundou em Estância o “Colégio Minerva”, do qual foi proprietário e professor.
 Em 1882, voltou ao “Atheneu Sergipense”,  a fim de ensinar aritimética e lógica.
Em 1900, foi nomeado professor estadual de português, aritmética e francês, em Estância. Um ano depois, voltou para Aracaju para ensinar matemática na Escola Normal.
Armindo Guaraná, em seu Dicionário Bio-Bliográfico Sergipano, afirma que Severiano Cardoso “foi um professor  competente e apaixonado pela Instrução” e que “não houve em seu tempo quem melhor soubesse difundir o ensino no espírito de seus jovens discípulos”. O mesmo disseram Acrísio Torres e o então presidente do Estado,  Manuel d` Araújo Góes.
Abalado com o assassinato de Olímpio Campos. Severiano Cardoso  faleceu em Aracaju, no dia 2 de outubro de 1907.
 Seu filho ilustre é José de Alencar Cardoso.
 
JOSÉ DE ALENCAR CARDOSO

 José de Alencar Cardoso, carinhosamente chamado “Professor Zezinho”, é filho de Severiano de Azevedo Cardoso . Nasceu em Estância, no dia 18 de abril de 1878. Tendo aprendido as primeiras letras com seu pai e tios, mudou-se para Aracaju onde fez os preparatórios no Atheneu Sergipense. Aspirando a carreira das armas, foi para o Rio de Janeiro, onde matriculou-se na Escola Militar, situada na Praia Vermelha. Permaneceu na Escola Militar até seu envolvimento com a “Revolta da Vacina”. Sufocada a insurreição, desligou-se e regressou para Estância.
Influenciado pelo tio  Brício Cardoso, fundou, em 9 de maio de 1909, o Colégio Tobias Barreto. “A ajuda de seu pai, Severiano Cardoso, e principalmente de seu tio Brício Cardoso, teve papel fundamental  na elaboração e implantação de um projeto político mais consciente e sistemático, responsável pela aglutinação dos egressos de Escola Militar” (11). Ao Colégio, anexou um Tiro de Guerra. A população de Estância apreciava, com admiração  e orgulho, os alunos se exercitarem na Praça da Matriz.

Em 1912, o Prof. Zezinho mudou-se para Aracaju, onde ocupou o cargo de escriturário da Saúde dos Portos. No  ano seguinte, transferiu o colégio para a capital sergipana. Em Aracaju seu estabelecimento de ensino cresceu, passando de menos de cem alunos para quase trezentos, em 1919. O crescimento era o resultado de sua proposta pedagógica revolucionária.  
 Ao tempo em que o Colégio crescia, Alencar Cardoso firmava-se como administrador público, Ocupou vários cargos: foi inspetor da Instrução Pública Primária (década de 1910), tesoureiro da Delegacia Fiscal (1923-25) e Diretor Geral da Instrução Pública (1918-1922). No ultimo ano do governo do Presidente Graco Cardoso, tornou-se responsável pela execução da Reforma do Ensino Público. O Colégio Tobias Barreto, durante o  afastamento do seu fundador, teve diversos diretores: Brício Cardoso, Carlos Augusto Cardoso, Alice Ferreira Cardoso, Abdias Bezerra e Arthur Fortes Os professores  Abdias Bezerra e Arthur Fortes, tal como ocorreu com o Professor Zezinho, foram alunos da Escola Militar. Talvez por esta razão, o traço dominante  do .Colégio Tobias Barreto foi o militarismo. Os alunos  começavam  o curso como soldado raso e, de acordo com o progresso alcançado, galgavam posições cada vez mais altas, passando a cabo, terceiro sargento, segundo sargento, primeiro sargento, aspirante, segundo tenente, primeiro tenente, capitão, major, tenente-coronel, coronel e, finalmente, comandante. Ao término do turno matutino, ao terminar as aulas, os alunos, em formação de ordem unida, eram obrigados a ouvir a leitura do “Boletim” com a “Ordem do Dia”.
O professor Zezinho faleceu em Aracaju, cercado do carinho e da gratidão de seus ex-alunos e admiradores. O  Colégio foi estadualizado,
 Vários logradouros e escolas públicas cultuam a sua memória.

 
BRICIO DE AZEVEDO CARDOSO

 Brício Maurício de Azevedo Cardoso, mais conhecido como Brício Cardoso, nasceu em Estância, em 9 de julho de 1844, sendo seus pais Joaquim Maurício Cardoso e Joana Baptista de Azevedo Cardoso.
Aprendeu as primeiras letras, e iniciou o curso de humanidades, em sua cidade natal, tendo como preceptores seu pai,  seu tio materno  (cônego José Luis de Azevedo), Florentino Telles de Menezes,  Antônio Ribeiro Lima, Galdino Barbosa de Araújo, e o  padre Quirino. Depois, mudou-se para Salvador, onde estudou no Atheneu Bahiano, onde foi discípulo de frei Antônio  da  Virgem Maria Itaparica, seu professor de filosofia.
Antes de fazer os exames preparatórios, retornou a Estância, onde foi professor substituto da cadeira de geometria e de primeiras letras na vila do Espírito Santo,
Em janeiro de 1860, estando D. Pedro II em excursão às províncias do Norte, ao chegar em Estância examinou  alguns alunos das aulas de latim, francês, geografia e gramática, Brício Cardoso foi um dos examinados, conforme se lê no diário do Imperador.
Em 24 de outubro de 1970, Brício Cardoso foi nomeado professor público do ensino primário  em sua cidade natal. Em 27 de abril de 1874, foi removido para a cadeira de retórica em Aracaju, no Atheneu Sergipense, onde também lecionou história universal, história de Sergipe, filosofia e língua portuguesa. Além de ensinar no Atheneu, lecionou português na Escola Normal (da qual foi diretor, de 1877 a 1879), No Parthenon Sergipense, ensinou filosofia e retórica; no Colégio São Salvador, gramática, matemática e geografia; no Colégio Tobias Barreto, (sob sua direção), português, latim e história universal.
Além de professor, foi um eminente homem de letras. O livro “Tratado de Vernácula”, escrito em 1875, é considerado uma obra prima. Este livro, embora aprovado em 1878 pelo Conselho Superior de Instrução Pública da Bahia,  somente foi editado em 1932, oito anos depois da morte do autor.
Também escreveu romances e peças de teatro. Seu romance mais conhecido é “Herpes Sociais”, publicado em folhetins no jornal “Bahia Ilustrada. As peças teatrais   mais populares são “Madrasta e Enteada”,  “A Ceguinha” e  “O Escravo Educado”
Como jornalista escreveu para vários jornais de Sergipe e da Bahia: “Bahia Ilustrada”, “Phenex”, “Jornal dos Caixeiros”,  “Gazeta de Aracaju”, “O Republicano” , “Jornal de Aracaju”, “A Notícia”, “O Estado de Sergipe”   “Correio de Alagoinhas”, “Sul de Sergipe”, ”Jornal do Comércio”, “O Guarany”, “O Tempo”, “Diário da Manhã”, “A Cruzada”,etc. Em seus trabalhos, vezes assinava seu nome, vezes  utilizava pseudônimos. Abordava assuntos variados  no campo da educação mas dava preferência aos estudos ligados à  língua vernácula, ao ensino primário e à formação de professores. Fundou, com seu irmão Severiano Cardoso, os periódicos “Bahia Ilustrada” (1867-1870). “Phenix” (1870), “Jornal dos Caixeiros” (1870) e “Gazeta do Aracaju (1879-1889). Sob sua exclusiva redação, foram lançados  “O Republicano” (1879-1889)(1890-1893), “Jornal do Aracaju” (2º, em 1894), “A Notícia” (1896-1898) e o “Estado de Sergipe” (1898=1901).
Foi deputado provincial (1878-1879), deputado constituinte e deputado estadual (em várias legislaturas). Pertenceu ao Conselho Municipal de Aracaju e foi Secretário de Estado nos governos do General Valadão e Martinho Garcez.
Brício Maurício de Azevedo Cardoso faleceu em Aracaju, em 21 de novembro de 1924, aos 80 anos de idade.

Um de seus filhos, Maurício Craccho Cardoso, foi  presidente de Sergipe de 1927 a 1829, e de 1930 a 1933.
Hunald Cardoso,falando sobre Brício Cardoso, afirmou>  “ A chave dos seus triunfos, como escritor e professor, provinha do seu conhecimento da várias línguas – francês, italiano, latim e grego, de cujas literaturas era juiz competente. Não lhe saia o livro das mãos, senão quando a presença de alguém a quem tivesse de atender, a isso o obrigasse. E, esgotada a provisão de obras ainda não deletreadas, volvia aos dicionários, que conservava sempre à mão, para os reler. Nos seus últimos anos de existência, afora os romances, os livros que mais o prendiam eram os seus clássicos latinos e a Imitação de Cristo. Limpo e castiço, era-lhe o estilo, modelado nas formas consagradas pelos clássicos. Era também Camões um dos seus inseparáveis companheiros”.
Seus filhos ilustres são Maurício Gracho Cardoso e Hunald Santaflor Cardoso.
 

MAURÍCIO CRACHO CARDOSO

 Maurício Graccho Cardoso, mais conhecido como Graccho Cardoso, político sergipano, nasceu em Estância, em 9 de agosto de 1874, sendo seus pais Brício Maurício de Azevedo Cardoso e Mirena Cardoso. Seu pai foi membro da Academia Sergipana de Letras, patrono da cadeira 36 da referida Academia e deputado estadual. Sua mãe pertencia a uma família tradicional.
Iniciou os primeiros estudos em Estância, com o próprio pai. Depois, mudou-se para Aracaju. Estudou na Escola Militar e participou  das revoltas do início do regime republicano. Ingressou na Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, onde iniciou sua formação jurídica, mas concluiu o curso em Fortaleza, onde fixou residência, constituiu família e ingressou na vida pública.
 Foi, Inicialmente, Secretário da Fazenda. Depois, foi, sucessivamente, deputado estadual, vice-presidente,  presidente, deputado federal e senador, pelo Estado do Ceará. 
Regressando a Sergipe foi eleito deputado federal (1921-1923) e senador, na vaga de Oliveira Valadão, mas não cumpriu o mandato por ter sido eleito presidente do Estado de Sergipe (1927-1929 e 1930-1933). A última legislatura foi interrompida pela revolução de 1930. Como deputado federal, foi eleito para seis legislaturas (duas pelo Ceará e quatro por Sergipe).
Como presidente de Sergipe fez uma administração profícua: criou vários grupos escolares, construiu os prédios da Prefeitura Municipal de Aracaju, Atheneu Sergipense, Mercado Modelo e Associação Comercial de  Sergipe e a sede do Colégio Nossa Senhora de Lourdes. Criou o Instituto de Química, o Instituto Parreiras Horta, uma Faculdade de Direito e uma Faculdade de Farmácia, e inaugurou a Usina de Energia Elétrica do Estado.
Em 1945, foi novamente eleito deputado federal para o período de 1946 a 1950 quando assumiu a vice-presidência da Câmara dos  Deputados.
Graccho Cardoso morreu no dia 3 de maio de 1950, no plenário da Câmara, quando se dirigia para a mesa a fim de presidir uma sessão.
Em  1950, o distrito de Tamandoá,  de Aquidabã, em Sergipe, foi elevado a município, com o nome de Graccho Cardoso.
 

HUNALD SANTAFLOR CARDOSO
 Hunald Santaflor Cardoso, nasceu em Estância, em 2 de setembro de 1894, sendo seus pais Brício Maurício de Azevedo Cardoso e Mirena Cardoso,
Passou a infância em sua cidade natal, onde aprendeu as primeiras letras com seu pai e tios. Concluídos os preparatórios, matriculou-se na Faculdade Livre de Direito, pela qual foi diplomado em 1918.
Exerceu a profissão de advogado no Distrito Federal, no Rio Grande do Sul, no Ceará e em Sergipe. Ao concluir o curso de direito, assumiu o posto de Promotor Público da Comarca de Cachoeira, no Rio Grande do Sul. No ano seguinte, foi nomeado Promotor Público da Comarca de Aracaju.
Exerceu intensa atividade política, tendo ocupado os cargos  Diretor Geral dos Correios do Distrito Federal (1914), Intendente de Aracaju, Consultor Jurídico Interino do Estado de Sergipe (1919), Inspetor Fiscal do Conselho Superior de Instrução do Liceu Alagoano (1920), Inspetor Fiscal do Conselho Superior de Instrução do Atheneu Pedro II (1921), Secretário Geral do Governo do Estado (1922), Diretor Fiscal do Governo do Estado de Sergipe junto ao Banco Estadual de Sergipe (1923), Chefe de Polícia Interino do Estado de Sergipe (1924), Deputado Estadual, Procurador Geral do Estado (1934), Interventor Federal no Estado (1945).
Hunald Santaflor Cardoso iniciou a carreira de magistrado em 1935, quando foi nomeado Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe. Nessa condição ocupou por três vezes o cargo de Corregedor Geral da Justiça (1950, 154 e 1958) e, uma vez, a Vice-Presidência (1956). Foi membro do Tribunal Regional Eleitoral, sendo seu Vice-Presidente em 1945 e Presidente por seis vezes (1946, 1950, 1952, 1956, 1961 e 1963).
Assumiu a Presidência do Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe por 10 vezes. A primeira delas em 1946 e, posteriormente, em 1947, 1948, 1949, 1950, 1951, 1953, 1955, 1957 e 1964.
Foi fundador e presidente da Academia Sergipana de Letras, membro efetivo e presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, fundador e professor de Direito Civil, Direito Penal e Direito Administrativo da Faculdade de Direito de Sergipe, professor de Direito Comercial da Escola de Comércio Conselheiro Orlando.
Foi membro da Comissão Organizadora das comemorações da Independência de Sergipe (1920) e da Comissão Organizadora da Exposição Internacional do Centenário da Independência do Brasil (1922). Fez parte da Associação Sergipana de Imprensa e da Associação dos Magistrados de Sergipee  dos Institutos Geográficos e Históricos do Ceará, Rio Grande do Sul e Rio Grande do Norte.
Foi secretário do jornal  “A Noite”, em Porto Alegre, diretor e secretário do “Sergipe Jornal”, em Aracaju, e proprietário e diretor do jornal “Diário da Manhã”, também em Aracaju.
Dentre os trabalhos que publicou, os mais conhecidos são “A Mulher Gaúcha” (1917), “O Senhor de Engenho” (1917), “Revisão Penal Militar” (1933), “O nobile officium do Poder Judicial” (1937), “A Constituição de 1937” (1938), “Tobias Barreto, Sol sem Eclipses” (1939), “Traços Biográficos do Filósofo de Escada” (1939), “Das Relações entre Juízes e Advogados” (1940), “Getúlio Vargas, Símbolo da Raça Brasileira” (1941), “Provimentos e Diretrizes” (1944), “Oração em Homenagem ao Professor Brício Cardoso” (1944), “Martinho Garcez, o Demóstenes Sergipano” (1945), “Testemunhos do Coração – Discurso Biográfico do Deputado Maurício Gracho Cardoso” (1951), “Dogmática de Direito Penal – Parte Geral – Preleções ministradas como Professor na Faculdade de Direito de Sergipe” (1953).

O Desembargador Hunald Santaflor Cardoso encerrou a carreira na magistratura ao se aposentar, em setembro de 1964, quando acumulava as presidências do Tribunal de Justiça e do Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe.
Faleceu em 24 de junho de 1973.

 
JOAQUIM MAURÍCIO CARDOSO

 Joaquim Maurício Cardoso, advogado, professor universitário e político, nasceu em Soledade, em 1888, sendo seus pais Melchisedek Mathuzalem Cardoso e Eugênia Almeida Gralha. É neto, pela parte paterna, de Joaquim Maurício Cardoso (seu avô e homônimo) e de Joana Baptista de  Azevedo Cardoso.
Foi deputado estadual pelo Rio Grande do Sul e participou da Revolução de 1930. Foi ministro da Justiça e de Negócios Interiores do governo provisório (1931). Aboliu a censura à imprensa e elaborou o código eleitoral (1933) e o que instituiu o chamado “Estado Novo” (1937). O código eleitoral de 1933 permitiu o voto feminino e instituiu o voto secreto.  
Na vigência do “Estado Novo” foi secretário do Interior do Rio Grande do Sul (governo do interventor Manuel de Cerqueira Daltro Filho), Com a morte do titular, em 19 de janeiro de 1938, ocupou o cargo de governador, até a posse de Osvaldo Cordeiro de Farias (4 de março de 1938). Logo em seguida foi secretário estadual de Agricultura.
Faleceu em um acidente de avião, em maio de 1938.
Há no Rio Grande do Sul um município chamado  Dr. Maurício Cardoso.
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SINFRÕNIO MAURÍCIO DE AZEVEDO CARDOSO

 
Sinfrônio Maurício de Azevedo Cardoso, mais conhecido como Sinfrônio Cardoso, nasceu em 19 de outubro de 1850, em Estância, sendo seus pais Joaquim Maurício Cardoso e Joanna Baptista de Azevedo. Todos os seus irmãos são intelectuais: Brício Cardoso, Severiano Maurício Cardoso, Melchisedek Mathusalem Cardoso, Manuel Maurício Cardoso, Ignez de Azevedo Cardoso, Amélia Cardoso e Valeriana Cardoso. Sinfrônio é tio de Maurício Gracho Cardoso e  de Joaquim Maurício Cardoso (político, advogado, professor universitário e governador do Rio Grande do Sul).
Fez o curso de humanidades e os dois primeiros anos de Teologia no Séminaire d´Angers, na França (seu irmão, Brício Cardoso patrocinou estes estudos).
Por motivo de saúde, teve de abandonar sua formação na França e regressar ao Brasil, onde se dedicou ao magistério. Mudou-se para Barbacena,  onde ministrou aulas particulares. Em 1880 tornou-se professor e diretor de uma escola particular em Piedade, município Leopoldina. Pouco depois, assumiu as cadeiras de inglês e francês do Colégio Piedade, na mesma localidade. Em 1886, mudou-se para São João Nepomuceno, onde exerceu o magistério secundário. Em 1901, foi designado regente das aulas suplementares de francês, no Internato do Ginásio Nacional (ex-Colégio D. Pedro II), no Rio de Janeiro, onde permaneceu até 1889. Em 1908, voltou para São João Nepomuceno, como professor do Grupo Escolar Coronel José Braz, assim permanecendo até 1915.
Em São João Nepomuceno  Sinfrônio gozou grande prestígio como cidadão, intelectual, e educador.  Além de possuir formação exemplar, era poeta sóbrio, prosador inspirado, e  orador excepcional. Todos reverenciavam sua cultura sólida e  variada, seu discurso  conceituoso, e sua prosa de elevado valor literário.
Em 1918, foi nomeado diretor do Grupo Escolar de Caratinga. Em 1919,  foi transferido para Campo Belo, onde  foi diretor do Grupo Escolar Cônego Ulisses. Em 1921, mudou-se para a cidade de Guarará, como diretor da Escola Ferreira Marques.
Homem de fé, colaborou com o periódico “Lar Católico”, de Juiz de Fora, dirigido por Lindolfo Gomes. Este periódico  tinha como colaboradores, além de Sinfrônio Cardoso, o conde Afonso Celso, Cândido Figueiredo, Bernardo Aroeira, Brício Cardoso, etc. Colaborou também com a “Revista do Ensino Mineiro”.
Sinfrônio Cardoso, Constantino José Gomes de Souza, Pedro Calazans, Bittencourt Sampaio, José Maria Gomes, Elzeario Pinto, Eustaquio Pinto, Joaquim Esteves, Joaquim de Calazans, Severiano Cardoso, Geminiano Paes, Eutichio Soledade e Leopoldo Amaral fazem pare do primeiro dos quatro grupos de poetas sergipanos elencados por Sílvio Romero.
Obras Publicadas:
Noites do Seminário. (Livro de estréia, 187ndianas (1879).
A Moça. (Poemeto)
Louros Esparsos ((1890)
A Descoberta do Brasil ( 5 volumes de poesias de 200 páginas cada um. 1 volume em francês).
Carlos e Alice (1904)
Traços biográficos do pianista brasileiro Frederico Malho. Rio de Janeiro (1906)
Elegias (1910)
Sonhos e Goivos

 


AMÉLIA DE AZEVEDO CARDOSO
 Amélia de Azevdo Cardoso nasceu em Estância, em 28 de abril de 1855, sendo seus pais Joaquim Maurício Cardoso e Joana Baptista de Azevedo. Casou-se com Archiminio Nogueira Delvale. Morreu em Aracaju, em data que desconhecemos.
O descendente ilustre de Amélia de Azevedo Cardoso é seu neto, José Barreto (filho, de Otília Cardoso Barreto).
 

JOSÉ BARRETO FILHO

José Barreto Filho, poeta, romancista e crítico literário, nasceu em Aracaju, em 27 de janeiro de 1908, sendo seus pais José Barreto dos Santos e Otília Cardoso Barreto. É neto de Amélia de Azevedo Cardoso.
Ainda criança, colaborou com jornais de Sergipe, após o que mudou-se para o Rio de Janeiro, onde publicou, aos 14 anos de idade, um livro de poemas, intitulado “Catedral de Oiro”.

 Em 1929, publicou “Sob o Olhar Malicioso dos Trópicos”, ao qual se seguiu “Introdução a Machado de Assis” (1947).
Integrou o “Grupo Festa”, de tendência espiritualista, contrapondo-se ao movimento modernista de 1922.
Ao lado de  Andrade Murici, Tasso da Silveira, Murilo Araújo e Cecília Meireles, participou da edição da revista “Festa”;
 Advogado brilhante, atuou no Rio de Janeiro, e em Sergipe. No Rio de Janeiro foi professor de Psicologia Educacional, na Pontifícia Universidade Católica..
Em 1929, participou da fundação da Academia Sergipana de Letras, dela figurando como sócio correspondente.
Como político, fez parte da União Republicana, Foi eleito deputado à Assembléia Estadual Constituinte (1934) e, em seguida, deputado federal.
1937, com a decretação do Estado Novo, afastou-se da política e voltou para o Rio de Janeiro, onde dedicou-se às atividades intelectuais, como professor e crítico literário.
Faleceu em 17 de dezembro de 1983.  centenário de seu nascimento foi comemorado no Rio de Janeiro. Das comemorações participaram o padre jesuíta Mário França Miranda (um dos maiores teólogos do Brasil), o professor Tarcisio Padilha, diversos intelectuais, ex-alunos, viúva e filhos.  Infelizmente Cecília, a mais identificada com o pai, (casada com o crítico Luiz Paulo Horta -- filho do cientista Parreira Horta), havia falecido, e não participou do evento.
 

 BIBLIOGRAFIA
1- Azevedo, Crislane B. de - Gracho Cardoso, Abdias Bezerra, José de Alencar Cardoso e o Movimento Renovador da Educação Escolar Sergipana na Década de 1920. Disponivel em file:///C:/Users/Geraldo/Downloads/Graccho%20Abdias%20e%20Alencar%20e%20a%20educa%C3%A7%C3%A3o%20sergipana%20na%20decada%20de%201920.pdf. Acesso em 09 de junho de 2015.
2-arreto, Luiz Antônio – Gracho Cardoso, Vida e Política. Aracaju, 2002
3- Barreto, Luiz Antônio - José Barreto Filho, 100 anos de nascimento. Disponível em http://www.infonet.com.br/luisantoniobarreto/ler.asp?id=69817&titulo=LuisAntonio_Barreto. Acesso em 16 de junho de 2015
4- Dória, Francisco Antônio – Cardosos de Sergipe. Disponivel em http://archiver.rootsweb.ancestry.com/th/read/BRAZIL/2000-11/0974719617. Acesso em 08 de 2015;
]5-Kresch, Daniela – O mito sobre a origem de sobrenomes de judeus convertidos. Disponível em http://oglobo.globo.com/brasil/o-mito-sobre-origem-de-sobrenomes-de-judeus-convertidos-5227424. Acesso em 2 de junho de 2015.
6-Moreira, Gustavo Alves Cardoso – Uma Familia no Império  do Brasil: Os Cardoso de Iragai (Um Estudo Sobre a Economia e Poder). Disponivel em http://www.historia.uff.br/stricto/teses/Dissert2005_MOREIRA_Gustavo_Alves_Cardoso-S.pdf. Acesso em 01 de junho de 2015.
7-Rezende, Cácia Valéria de – “Retrato de Uma Tragetória”:As Várias Facetas do Prof. Brício Cardoso. Disponivel em http://midia.unit.br/enfope/2013/GT8/RETRATO_DE_UMA_TRAJETORIA_VARIAS_FACETAS_PROFESSOR_BRICIO_CARDOSO.pdf. Acesso em 08 de junho de 2015.
8- Santos, Maria Fernanda dos – Severiano Cardoso e a Docência em Sergipe no Anoitecer do Século XIX – Revista do Curso de Pedagoria. Aracaju, vol 2; n. 2. Jan/Jun 2015
9- , Wanesa – Joaquim Maurício Cardoso:Um Intelectual Baiano com Raizes Sergipanas. Disponível em http://www.sbhe.org.br/novo/congressos/cbhe5/pdf/902.pdf. Acesso em 15 de junho de 2015.
10  ---------------- Origem do Sobrenome. Família Cardoso,  Disponível em http://www.usinadesolucoes.com.br/cardoso.html. Acesso em 01 de junho de 2015.
-11---------------- História da Família Cardoso. Disponível em  http://cardosoquitito.blogspot.com.br/2012/04/historia-da-familia-cardoso_01na.html. Acesso de 01 de junho de 2015
-12--------------- Família Cardoso. Disponível em https://www.facebook.com/pages/Fam%C3%ADlia-Cardoso/554006104612649.Acesso em 08 de junho de 2015.
 
 
 
 
 
 
 
 

 

Um comentário:

  1. ESSA SÃO A MINHA FAMILIA TA AI PORQUE EU SOU POLITICO VEM DA MINHA RAIZ

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